Com a cabeça apoiada no braço direito e segurando de maneira tão descuidada um lápis e um caderno, começo a escrever aleatoriamente sobre o papel branco.
Escrevo palavras desconexas, frases dignas de um facebook momentâneo, onde a dor e a alegria mudam constantemente, onde 140 caracteres dominam o mundo.
Eu escrevo sem presa.
Escrevo para sentir a dor e a inquietação sendo transformadas em palavras, de uma forma que a voz nunca será capaz de captar.
E penso.
.
.
.
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E deliro.
Deliro por que as palavras saem de mim quase sem querer, em um preso-fio que teima em se partir, deixando-as só, no branco do papel.
Deliro como só a dor de passar ao papel aquilo que se sente, aquilo que te prende.
Hoje lamento o fim de uma pessoa que não conheci, mas sinto a tristeza como se fosse minha.
Por que, em um momento, ela foi minha irmã.
Que foi Luz
...
Que é Luz
...
Que será Luz para sempre.
Então fecho os olhos e seguro meu caderno surrado, prendendo as palavras que se derramam dele.
Como as lágrimas que caem dos meus olhos.
Para uma pessoa que muito já foi luz e me fez pensar na saudade que sinto.

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